O que fazer no Peru depende de quantos dias você tem, mas o roteiro clássico combina Lima, Cusco, o Vale Sagrado e Machu Picchu em 8 a 10 dias. Com 12 a 14 dias, dá para incluir o deserto de Huacachina e o sobrevoo das Linhas de Nazca. A ordem certa e a adaptação à altitude fazem toda a diferença no aproveitamento.
Roteiro Peru 10 dias: quanto tempo ficar em cada lugar
Dez dias cobrem bem a capital e os Andes. A regra de ouro é subir aos poucos: chegar em Cusco direto de Lima e já sair para trilhas é o erro mais comum de quem vai pela primeira vez.
- Lima, 2 dias. Centro histórico, Miraflores, Barranco e pelo menos um grande almoço peruano.
- Vale Sagrado, 2 dias. Fica mais baixo que Cusco e ajuda na aclimatação. Base em Urubamba ou Ollantaytambo.
- Machu Picchu, 1 a 2 dias. Noite em Aguas Calientes para visitar a cidadela cedo.
- Cusco, 3 dias. Centro, sítios arqueológicos ao redor e um passeio de dia inteiro, como a Montanha Colorida ou a Lagoa Humantay.
- Volta a Lima, 1 dia. Margem para voos e compras.
Com 13 ou 14 dias, encaixe 2 a 3 dias no litoral sul, entre Paracas, Huacachina e Nazca, antes de voar para Cusco. O voo de Lima a Cusco leva cerca de 1h20.
Lima: centro histórico, Miraflores e a capital da gastronomia
Lima merece pelo menos dois dias, e não só como escala. A maioria dos voos do Brasil chega ao Aeroporto Internacional Jorge Chávez, a cerca de 40 minutos a 1h30 de Miraflores, dependendo do trânsito.
- Centro Histórico. Plaza Mayor, Catedral de Lima e o Convento de San Francisco com suas catacumbas. Patrimônio da Unesco.
- Miraflores. Bairro mais procurado para hospedagem, com o Malecón sobre o Pacífico e o Parque del Amor.
- Barranco. Bairro boêmio, com arte de rua, a Ponte dos Suspiros e bares para ver o pôr do sol.
- Huaca Pucllana. Pirâmide de adobe anterior aos incas, no meio de Miraflores.
Uma dica prática: entre junho e outubro, Lima fica coberta pela garúa, uma névoa cinza constante. Não é chuva forte, mas leve um casaco leve.
Cusco e a altitude: como se adaptar sem perder dias
Cusco fica a cerca de 3.400 metros de altitude, e o mal de altitude, chamado de soroche, pode causar dor de cabeça, cansaço e falta de ar nas primeiras horas. Por isso muita gente desce direto do aeroporto para o Vale Sagrado e só volta a Cusco depois.
- Primeiras 24 horas. Ande devagar, coma leve e evite álcool.
- Mate de coca. Chá servido em quase todo hotel, tradicional na região.
- Hidratação. Beba bastante água ao longo do dia.
- Orientação médica. Se você tem condição cardíaca ou respiratória, converse com seu médico antes da viagem.
Em Cusco, priorize a Plaza de Armas, o Qorikancha, o bairro de San Blas e as ruínas de Sacsayhuamán, logo acima da cidade. O Boleto Turístico de Cusco reúne a entrada de vários sítios arqueológicos e museus da região.
Vale Sagrado dos Incas: Pisac, Ollantaytambo, Moray e Maras
O Vale Sagrado dos Incas é o trecho entre Pisac e Ollantaytambo, ao longo do rio Urubamba. É mais baixo e mais verde que Cusco, e concentra alguns dos sítios incas mais impressionantes fora de Machu Picchu.
- Pisac. Terraços agrícolas no alto da montanha e um mercado de artesanato no povoado.
- Ollantaytambo. Fortaleza inca e cidade ainda habitada com traçado original. Também é o principal ponto de saída dos trens para Machu Picchu.
- Moray. Terraços circulares usados pelos incas como laboratório agrícola.
- Salineras de Maras. Centenas de piscinas de sal na encosta, exploradas desde antes dos incas.
- Chinchero. Vilarejo conhecido pela tecelagem tradicional.
Dá para fazer o vale em um dia de tour saindo de Cusco, mas dormir uma ou duas noites lá deixa a viagem mais tranquila e encaixa bem com o trem.
Como chegar a Machu Picchu e escolher o ingresso
Não existe estrada até Machu Picchu. O caminho mais usado é de trem até Aguas Calientes, o povoado ao pé da montanha, e de lá um ônibus sobe até a cidadela em cerca de 25 minutos.
- Trem desde Ollantaytambo. Cerca de 1h30 de viagem com PeruRail ou Inca Rail. Opção mais rápida.
- Trem desde Cusco (Poroy ou San Pedro). Trajeto mais longo, de 3h30 ou mais. Prático para quem não vai dormir no vale.
- Trilha Inca. Em geral 4 dias de caminhada com agência autorizada e vagas limitadas, que esgotam com meses de antecedência.
Os ingressos têm horário de entrada e são divididos em circuitos, com número diário limitado. Quem quer subir a montanha Huayna Picchu precisa comprar o ingresso combinado, que esgota rápido na alta temporada. Compre ingresso e trem juntos, de preferência com 2 a 3 meses de antecedência, e leve o documento usado na compra, porque ele é conferido na entrada.
Dormir em Aguas Calientes e pegar um dos primeiros horários da manhã costuma garantir menos fila e a chance de ver a névoa se abrindo sobre as ruínas.
Linhas de Nazca e Huacachina: o lado deserto do Peru
O litoral sul mostra um Peru completamente diferente dos Andes. A rota começa em Lima e segue pela Rodovia Pan-Americana Sul, passando por Paracas, Ica e Nazca.
Paracas e Ilhas Ballestas
Paracas fica a cerca de 3h30 a 4h de ônibus de Lima. O passeio de barco às Ilhas Ballestas mostra leões marinhos, pinguins de Humboldt e milhares de aves. Funciona melhor pela manhã, quando o mar está mais calmo.
Huacachina
Huacachina é um pequeno oásis cercado de dunas, a poucos minutos da cidade de Ica. Os programas clássicos são o passeio de buggy pelas dunas e o sandboard, de preferência no fim da tarde para pegar o pôr do sol. A região de Ica também tem vinícolas e destilarias de pisco abertas à visitação.
Linhas de Nazca
As Linhas de Nazca são geoglifos gigantes traçados no deserto há cerca de 2 mil anos, com figuras como o beija flor, o macaco e a aranha. A melhor forma de vê-las é no sobrevoo em avioneta, com duração média de 30 a 35 minutos saindo do aeródromo de Nazca. Há também saídas de Pisco e Ica, que custam mais e levam mais tempo.
Quem enjoa fácil deve tomar café leve antes, porque o avião faz curvas fechadas para os dois lados. Se preferir não voar, o mirante à beira da estrada mostra algumas figuras, mas de forma bem limitada. Se o deserto te atrai, vale ler também nosso roteiro pelo Deserto do Atacama.
Culinária peruana: o que comer em cada parada
A culinária peruana é motivo de viagem por si só, e Lima é considerada uma das capitais gastronômicas da América Latina. Mesmo em restaurantes simples, a comida costuma surpreender.
- Ceviche. Peixe cru marinado no limão com cebola roxa e ají. Prato de almoço, porque os peruanos o comem com peixe do dia.
- Lomo saltado. Carne salteada com cebola, tomate, batata frita e arroz. Mostra a influência chinesa na cozinha local.
- Ají de gallina. Frango desfiado em creme amarelo de ají e pão.
- Causa limeña. Camadas de purê de batata amarela com recheio de frango ou frutos do mar.
- Anticuchos. Espetinhos de coração de boi, comuns em barracas de rua.
- Cuy. Porquinho da índia assado, prato típico dos Andes, especialmente em Cusco.
- Pisco sour e chicha morada. O primeiro é o drinque nacional; a segunda, uma bebida sem álcool de milho roxo.
Para comer bem gastando pouco, procure o menú del día, com entrada, prato principal e bebida a preço fixo no almoço. Em Lima, o Mercado de Surquillo e as cevicherias de Miraflores são bons pontos de partida. Restaurantes de alta gastronomia exigem reserva com semanas de antecedência.
Documentos, moeda e melhor época para ir
Brasileiros podem entrar no Peru como turistas sem visto, apresentando passaporte válido ou RG em bom estado. A CNH não serve como documento de viagem. Confira as regras na hora de planejar, inclusive para menores de idade.
- Moeda. O sol peruano (PEN). Cartão é aceito em cidades maiores, mas leve dinheiro para mercados, táxis e povoados.
- Fuso horário. O Peru fica 2 horas atrás de Brasília na maior parte do ano.
- Estação seca, maio a setembro. Melhor época para os Andes e Machu Picchu, com céu limpo e noites frias. É também a alta temporada.
- Estação chuvosa, dezembro a março. Paisagem mais verde e menos turistas, mas trilhas escorregadias. A Trilha Inca costuma fechar em fevereiro para manutenção.
- Vacina contra febre amarela. Recomendada para quem vai à região amazônica.
Internet no Peru: como avaliar cobertura e condições de uso antes de comprar
No Peru você vai usar o celular para mapas, aplicativos de transporte, tradução de cardápios, ingressos digitais e o WhatsApp com a família. A melhor forma de evitar surpresa é avaliar a opção de internet internacional antes de embarcar, e não no balcão do aeroporto.
- País na lista de cobertura. Confira se o Peru está incluído e se o plano cobre os outros países do roteiro. Se você vai combinar com a Bolívia pelo Lago Titicaca, verifique com atenção, porque ela pode não estar na mesma área de cobertura.
- Cobertura fora das cidades. Em Lima, Cusco e Aguas Calientes o sinal costuma ser bom. Nas dunas de Huacachina, nas estradas do deserto e em trilhas de altitude ele pode falhar, como acontece com qualquer operadora. Baixe mapas offline e os ingressos de Machu Picchu antes de sair do hotel.
- Tipo de franquia. Planos diários renovam a franquia em alta velocidade a cada 24h e seguem com velocidade reduzida se ela acabar. Planos Controle têm uma franquia única para o período, com recarga se precisar.
- Chip físico ou eSIM. O eSIM chega por e-mail em minutos, mas exige celular compatível: disque *#06# e veja se aparece o número EID. O chip físico é entregue em casa e deve ser pedido com pelo menos 20 dias de antecedência.
- Ativação e suporte. Prefira uma opção que você instala ainda no Brasil e conecta sozinha ao chegar, com atendimento em português durante a viagem.
O chip para América do Sul do mysimtravel cobre o Peru e outros países da região, como Chile, Argentina e Colômbia, e mantém o seu WhatsApp com o número do Brasil, inclusive chamadas pela internet. Se preferir uma franquia única para a viagem toda, compare com o Plano Controle Mercosul. Ainda em dúvida sobre o momento da compra? Veja se vale comprar o eSIM antes ou no destino.
Perguntas frequentes sobre o que fazer no Peru
Para uma primeira viagem, 8 a 10 dias cobrem Lima, Cusco, o Vale Sagrado e Machu Picchu com tempo para se adaptar à altitude. Com 12 a 14 dias, dá para incluir o litoral sul, com Paracas, o oásis de Huacachina e o sobrevoo das Linhas de Nazca, sem correria entre os destinos.
Brasileiros podem entrar no Peru como turistas sem visto, usando passaporte válido ou RG em bom estado, segundo as regras atuais. A CNH não é aceita como documento de viagem. Como as exigências podem mudar, confira as orientações oficiais antes de embarcar, principalmente se houver menores de idade no grupo.
O caminho mais comum é ir de trem até Aguas Calientes, saindo de Ollantaytambo, no Vale Sagrado, ou das estações próximas a Cusco. As operadoras são a PeruRail e a Inca Rail. De Aguas Calientes, um ônibus sobe até a cidadela. Outra opção é a Trilha Inca, feita com agência autorizada.
A estação seca, de maio a setembro, é a melhor época para Cusco, o Vale Sagrado e Machu Picchu, com céu limpo e noites frias. É também a alta temporada, então ingressos e trens esgotam antes. De dezembro a março chove mais nos Andes, enquanto o litoral e o deserto ficam ensolarados.
Em Lima, Cusco e Aguas Calientes o sinal costuma ser bom, mas dentro da cidadela de Machu Picchu, nas dunas de Huacachina e nas estradas do deserto ele pode ser fraco ou inexistente. O ideal é baixar mapas offline e salvar ingressos no celular antes de sair, usando um chip ou eSIM que cubra o Peru.
Conclusão: o Peru recompensa quem planeja
Compre Machu Picchu e o trem cedo, suba aos Andes aos poucos e reserve um almoço longo em Lima. Com 10 a 14 dias, você vê ruínas incas, deserto e uma das melhores cozinhas do continente. Para seguir conectado do Pacífico aos Andes, conheça o chip para América do Sul do mysimtravel.